O futuro de Edu

Sento no chão para brincar de massinha com Edu. O menino tem 10 anos e veio de longe. Mal posso imaginar pelo que já deve ter passado. Deixou o seu país, em outro continente, para chegar até o Brasil. Mora temporariamente com outros refugiados em um centro de acolhida na zona leste de São Paulo. Distante do verdadeiro lar, a família tenta reconstruir uma vida por aqui.

Enquanto brincamos, pergunto ao garoto que profissão sonha em seguir. “Quero ser bandido, tia”, responde com a voz baixa. “Bandido?”, questiono espantada. Tento convencê-lo de que aquela não era uma boa opção. Ele fica em silêncio e depois se mantém entretido com um brinquedo qualquer.

No caminho de volta para o conforto da minha casa, não consigo parar de pensar qual futuro terá o menino. É incrível como os conflitos armados e a violência geram uma série de problemas que vão impactar na vida dele. A necessidade do deslocamento, a falta de moradia, fome, desemprego.

Espero que Edu esteja enganado e nunca desista de lutar por oportunidades. Assim como os demais refugiados, ele só precisa ser acolhido de maneira digna. Sempre há espaço para a interação entre os povos. A humanidade é feita dela. Eu torço por um futuro brilhante para o Edu.

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Por Juliana Helpe
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Tempo de mudança

O caminho estava certo. Sonhos, planos, promessas… Mas que ironia! A vida surpreende. Certezas que se dissipam em um segundo. Vida que vira de cabeça para baixo. O futuro é mesmo incontrolável. Então, vamos viver dia após dia. Sem expectativas, sem pretensões. Seguir, sem olhar para trás. Porque chegou a hora de arriscar. Tudo neste percurso ensina. O novo pode ser bom. E ele vai ser.

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Foto: Juliana Helpe

 

Por Juliana Helpe