O futuro de Edu

Sento no chão para brincar de massinha com Edu. O menino tem 10 anos e veio de longe. Mal posso imaginar pelo que já deve ter passado. Deixou o seu país, em outro continente, para chegar até o Brasil. Mora temporariamente com outros refugiados em um centro de acolhida na zona leste de São Paulo. Distante do verdadeiro lar, a família tenta reconstruir uma vida por aqui.

Enquanto brincamos, pergunto ao garoto que profissão sonha em seguir. “Quero ser bandido, tia”, responde com a voz baixa. “Bandido?”, questiono espantada. Tento convencê-lo de que aquela não era uma boa opção. Ele fica em silêncio e depois se mantém entretido com um brinquedo qualquer.

No caminho de volta para o conforto da minha casa, não consigo parar de pensar qual futuro terá o menino. É incrível como os conflitos armados e a violência geram uma série de problemas que vão impactar na vida dele. A necessidade do deslocamento, a falta de moradia, fome, desemprego.

Espero que Edu esteja enganado e nunca desista de lutar por oportunidades. Assim como os demais refugiados, ele só precisa ser acolhido de maneira digna. Sempre há espaço para a interação entre os povos. A humanidade é feita dela. Eu torço por um futuro brilhante para o Edu.

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Por Juliana Helpe
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Cacho fora da caixa

– Me deixa prender seu cabelo.
– Não quero! Dói, mãe.
– Deixa disso.
Tiro a xuxinha assim que escapo do olhar dela.

– Coloca assim, atrás da orelha, que nem fulana.
– Me incomoda.
– Mas é volumoso, tá feio!
Coloco atrás da orelha, ele escapa. Tento mais uma vez.
Não dá. Esqueço e sigo em frente.

– O que você fez? Prende isso!
Prendo isso.

– E se você fizesse uma progressiva? Escova de chocolate?
Coisa leve, ele vai ficar no lugar.
– É uma boa ideia…
Eu tento. Passo mal, mas ele fica no lugar.

– E esse “matinho”?
– Tô deixando a franja crescer.
Não, não estou. Ele só quer crescer, sair do lugar.

– Que tal umas luzes também? Tá na moda.
– Luzes, então.
Estou igual. Dá pra ver que sou igual?

– Você tem uma beleza exótica.
– Exótica?
Mas estou igual a todo mundo. Não estou?

– Nossa! Tá lindo assim. Longo, californianas.
– Jura? Obrigada!
É… Só demoro duas horas por dia para deixar assim.
Amanhã vou levantar bem cedinho… Mais uma vez.

– Tô cansada. Quero dormir, mas preciso arrumar meu…
– Para com isso! Corta! Deixa esse liso para lá!
– Mas não vou ficar igual!
– Quem liga?
Quem liga? Quem liga… QUEM?

______________

– Oi! Você tá bagunçada. Por quê?
– Ah… Cortei o cabelo e não fiz chapinha. Acho que vou
usar assim. Não ficou bom?
– Não gostei.
– Tá.
Que merda! Se nem quem me ama…

– Nossa, até que estou me acostumando.
– Eu também.
Acordei bem hoje. Me sinto ok. Quem liga? Eu ligo.

– Que cabelo lindo. Deve dá muito trabalho.
– Na verdade, não.
Difícil é me justificar.

– Me sinto de fora, às vezes.
– Mas você quer mudar?
– Não sei. Eu gosto assim, mas…
Por que mesmo quero mudar?

– Então perguntei “o que tem de errado com ela?” e
eles disseram “ah, sabe… ela não é igual a gente! É diferente!”. Acredita?
– Huum…
Você é diferente, eles disseram. É o argumento.

______________

– Oi.
– Oi.
– Você é diferente. Sou um espelho, mas consigo ver além do
seu reflexo. Não é o cabelo, tá?
– Eu sei.
– E aí? Vamos mudar? Tentar ser igual?
– Não. Sou diferente. Sou eu.

cachos_meraki_gabriela

Por Gabriela Leocádio

Faça o que ama e ame o que faça

all work and all play2Ter um emprego formal, com um bom cargo, salário e benefícios, não representa sinônimo de satisfação. Hoje, os profissionais desejam mais do que isso. O vídeo All work and all play mostra a forma de pensar dos millennials, ou chamada Geração Y. São os jovens que se sentem motivados a trabalhar com paixão, ao contrário da geração anterior que ansiava por estabilidade.

O ideal é unir aquilo que nos provê o sustento com aquilo que nos diverte. Somos inquietos, ambicioso, imediatistas e ousados. Precisamos estar engajados e sentir um propósito no que fazemos. Afinal, passamos grande parte da vida trabalhando. Desde cedo somos estimulados a escolher uma profissão. Muitas vezes, são anos de estudos e investimentos numa carreira. Então, por que não transformar o trabalho em algo prazeroso?

Por outro lado, não é à toa que observamos um alto índice de pessoas deprimidas e frustradas com as escolhas profissionais. São altas as expectativas em busca da vida perfeita, correndo-se o risco de sonhar muito e concretizar pouco.

Onde tudo isso vai parar? É difícil dizer. Mas já é possível observar novas relações e formas de trabalho, baseada nessa mentalidade líquida, digital e coletiva. Com um computador, qualquer lugar do mundo pode ser um escritório; jovens resolvem criar seus próprios negócios ainda cedo; espaços de trabalho podem ser compartilhados; entre outros exemplos.

Neste cenário, o desafio é criar oportunidades e tornar a carreira algo que faça bem. Essa geração ansiosa tem pressa por resultados e não abre mão de curtir o caminho. Se não agora, quando? Porque a vida não pode ser uma eterna espera pelo fim de semana, não é mesmo?

All work and all play é produção do BOX1824, empresa de pesquisa especializada em tendências de comportamento e consumo. Realizado em 2012, o vídeo compara as motivações profissionais de cada geração e apresenta um novo significado para o conceito de sucesso. Confira:

 

 

Por Juliana Helpe