O tempo que se leva

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Foto: Juliana Helpe

 

Num piscar de olhos os ponteiros do relógio giraram. Um minuto, uma hora, um dia, um mês, um ano, uma década. A sensação de estar desperdiçando tempo traz uma certa angústia no peito. Por não saber aonde chegar. Por não estar onde se deseja.

Neste momento poderia estar lutando pela paz mundial ou apenas levando uma vida simples na praia. Ao invés disso, vamos cumprindo obrigações, meio a contragosto. Correndo, correndo… Mas para qual direção?

Aquele tempo tão precioso se arrasta, escorre, passa. O que mesmo eu estou fazendo com ele? Enquanto não sei, fica por aqui e perde tempo comigo. Quem sabe a gente descobre que essa seja a melhor maneira de aproveitá-lo.

 

Por Juliana Helpe

Minha mente é uma viagem

 

Minha mente é capaz de inventar uma história com roteiro, personagens e diálogos definidos. Enquanto caminho, admiro o mar ou deito na cama antes de dormir, divago sobre as situações mais inusitadas.

É a sensação de estar dentro de um sonho. Quando me dou conta, perdi a estação do metrô ou não sei qual o assunto da reunião. Por um momento, transporto-me para outro tempo e espaço. 

A mente imaginativa cria circunstâncias, expectativas, conclusões… Aquela resposta perfeita, a discussão que não entrei, um passeio por uma cidade distante, o encontro ideal.

Os pensamentos vão longe. Entretanto, quando retorno à vida real, vejo que tantas coisas continuam no mesmo lugar. O destino tem sua vontade própria.

Mas quer saber? Dane-se! Prefiro não perder a capacidade de sonhar. E vou continuar sonhando sempre.

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Por Juliana Helpe

O futuro de Edu

Sento no chão para brincar de massinha com Edu. O menino tem 10 anos e veio de longe. Mal posso imaginar pelo que já deve ter passado. Deixou o seu país, em outro continente, para chegar até o Brasil. Mora temporariamente com outros refugiados em um centro de acolhida na zona leste de São Paulo. Distante do verdadeiro lar, a família tenta reconstruir uma vida por aqui.

Enquanto brincamos, pergunto ao garoto que profissão sonha em seguir. “Quero ser bandido, tia”, responde com a voz baixa. “Bandido?”, questiono espantada. Tento convencê-lo de que aquela não era uma boa opção. Ele fica em silêncio e depois se mantém entretido com um brinquedo qualquer.

No caminho de volta para o conforto da minha casa, não consigo parar de pensar qual futuro terá o menino. É incrível como os conflitos armados e a violência geram uma série de problemas que vão impactar na vida dele. A necessidade do deslocamento, a falta de moradia, fome, desemprego.

Espero que Edu esteja enganado e nunca desista de lutar por oportunidades. Assim como os demais refugiados, ele só precisa ser acolhido de maneira digna. Sempre há espaço para a interação entre os povos. A humanidade é feita dela. Eu torço por um futuro brilhante para o Edu.

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Por Juliana Helpe