Faça o que ama e ame o que faça

all work and all play2Ter um emprego formal, com um bom cargo, salário e benefícios, não representa sinônimo de satisfação. Hoje, os profissionais desejam mais do que isso. O vídeo All work and all play mostra a forma de pensar dos millennials, ou chamada Geração Y. São os jovens que se sentem motivados a trabalhar com paixão, ao contrário da geração anterior que ansiava por estabilidade.

O ideal é unir aquilo que nos provê o sustento com aquilo que nos diverte. Somos inquietos, ambicioso, imediatistas e ousados. Precisamos estar engajados e sentir um propósito no que fazemos. Afinal, passamos grande parte da vida trabalhando. Desde cedo somos estimulados a escolher uma profissão. Muitas vezes, são anos de estudos e investimentos numa carreira. Então, por que não transformar o trabalho em algo prazeroso?

Por outro lado, não é à toa que observamos um alto índice de pessoas deprimidas e frustradas com as escolhas profissionais. São altas as expectativas em busca da vida perfeita, correndo-se o risco de sonhar muito e concretizar pouco.

Onde tudo isso vai parar? É difícil dizer. Mas já é possível observar novas relações e formas de trabalho, baseada nessa mentalidade líquida, digital e coletiva. Com um computador, qualquer lugar do mundo pode ser um escritório; jovens resolvem criar seus próprios negócios ainda cedo; espaços de trabalho podem ser compartilhados; entre outros exemplos.

Neste cenário, o desafio é criar oportunidades e tornar a carreira algo que faça bem. Essa geração ansiosa tem pressa por resultados e não abre mão de curtir o caminho. Se não agora, quando? Porque a vida não pode ser uma eterna espera pelo fim de semana, não é mesmo?

All work and all play é produção do BOX1824, empresa de pesquisa especializada em tendências de comportamento e consumo. Realizado em 2012, o vídeo compara as motivações profissionais de cada geração e apresenta um novo significado para o conceito de sucesso. Confira:

 

 

Por Juliana Helpe

Oi, quer me ouvir?

É um dom e uma sina. Meio que virou piada interna. Ou pública, não sei. Acontece sempre.

No ônibus, interrompendo uma conversa entre amigas. Na estação de metrô, esperando minha carona. No balcão do bar, depois de causar surpresa ao pedir uma coca-cola. Enquanto escovo os dentes no banheiro do trabalho e parece ser o momento perfeito para ouvir os medos e anseios de uma estranha. Durante a sessão de massagem, em que escutei toda a vida amorosa da esteticista. No táxi, muitas vezes no táxi. Na fila da padaria, porque como pode ter fila no meio da madrugada? Tinha que ser naquela famosa perto da Paulista… Na balada, onde ninguém se vê ou escuta, mas já sei que fulano fez intercâmbio, tem fotos bobas no facebook e acha barriga de chopp sexy (não, não era um tipo de cantada). No chão da livraria, quando dividir um puff e contemplar a mistura de pessoas e palavras, às vezes, é mais interessante do que ler.

Com os garçons, baristas e hippies também. Já curto comentar sobre a mesa ao lado, ter desenhos simpáticos no meu copo de café e ganhar pedrinhas com significados incompreensíveis. Até naquele micro espaço de tempo em que ele parou para comprar alguma coisa e, quando voltou, já era tarde. Linha ocupada. “Você é daquelas que arruma um amigo a cada cinco minutos?”, perguntou como se não acreditasse no que via. Bem, se escutar os outros é ser amiga… Sim, sou sim.

Nesse mundo paralelo, misto de cidade grande e a abismo digital, desperto nos outros uma súbita vontade de dividir assuntos aleatórios. Fenômeno ainda não esclarecido pela ciência, segundo uns amigos aí. Mas, enfim, e você? O que me conta hoje?

Por Gabriela Leocádio

 

Promessas em vão

Não faça promessas que não vai cumprir. Não confirme presença quando não há espaço na agenda. Não fique de ligar quando já apagou o número de telefone. Não prometa companhia quando não é mente presente. Não diga se importar quando nem escuta. Não jure mudar quando não existe vontade. Não diga que vai ficar quando já decidiu partir. Não dê esperança quando não há amor.

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Foto: Juliana Helpe

 Por Gabriela Leocádio

Afinal, quem sou eu?

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Sabe aquelas questões que são grandes mistérios da humanidade? Do tipo, qual o sentido da vida e qual o propósito da nossa existência. Pois é. Eu Maior, documentário sobre autoconhecimento e busca da felicidade, procura investigar esses e outros temas a partir de depoimentos muito interessantes de 30 brasileiros com perfis bem diferentes.

Entre os entrevistados estão o filósofo Sergio Cortellla, a monja budista Coen, o cientista Marcelo Gleiser, o líder humanitário Prem Baba, o escritor Rubem Alves, e outros nomes. É interessante perceber como cada um tem um ponto de vista, com opiniões moldadas pela formação e experiência individual.

Para uns a felicidade significa ter posses. Para outros é definida como um momento, um estado de espírito, fazer o que gosta ou estar com quem se ama. A questão é: como faço para alcançar a felicidade e satisfação pessoal? Alguns encontram a resposta em uma vocação, como na pintura ou na música. Outras vezes, isso acontece por meio de um estilo de vida. Ou ainda a aventura de escalar uma montanha e surfar nas maiores ondas do mundo podem representar essa autodescoberta.

O problema é que muitas pessoas colocam a felicidade como uma meta futura. Quando, na realidade, o segredo está em alcançá-la durante a trajetória. É como vamos trilhar o nosso caminho e o que levaremos disso tudo. O filme também nos lembra que ninguém é feliz o tempo todo. Trata-se de uma situação passageira, que do mesmo modo pode dar espaço à tristeza. E são nas crises que surgem as oportunidades de superação e aprendizado.

Como resultado, o filme nos provoca uma intensa reflexão. Como as discussões levantadas não apresentam conclusões concretas, o sentimento que fica é de mais curiosidade, dúvidas e inquietações. Na verdade, as respostas estão dentro de cada um. É um processo de autoconhecimento que nos leva a pensar: afinal, quem sou eu?

Confira alguns depoimentos dos entrevistados:

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“A gente nunca vai poder conhecer tudo sobre o mundo. A gente tem que viver com essa sabedoria, que a gente nunca vai poder ter uma visão completa do mundo. O que não nos torna menos humanos. Na verdade, nos torna mais humanos e menos deuses”, Marcelo Gleiser (cientista).

 

carlos burle

 

“Eu gosto de desafios. De uma maneira louca, você morre. De uma maneira preparada, você aprende”, Carlos Burle (surfista).

 

 

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“Eu precisei ir até a montanha para poder me encontrar, me ver diante de um espelho”, Waldemar Niclevicz (alpinista).

 

 

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“A gente não nasce pronto e vai se gastando. A gente nasce não pronto e vai se fazendo”, Sérgio Cortella (filósofo).

 

 

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“A felicidade é original para cada um, porque nós somos originais. Nós somos únicos, ainda que iguais. Acho que a beleza da condição humana é essa possibilidade de você ser completamente original e completamente igual”, Marina Silva (ambientalista).

 

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“A felicidade não exige dinheiro. A felicidade não exige status para se manifestar. A felicidade não exige um curso de MBA e ela não exige nenhuma formação. Só a sintonia. Por isso a minha resposta é óbvia. A felicidade é um estado de espírito”, Kaká Werá (educador).

 

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“A tristeza é uma emoção natural e importante, porque ela nos ajuda a vivenciar o luto, deixar morrer para poder renascer. O problema é que todo mundo quer renascer, mas ninguém quer morrer”, Roberto Crema (psicólogo).

 

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“Quando a gente abre a mão, nela cabe todo o mundo. Quando nós seguramos alguma coisa, nós nos limitamos. E às vezes, nós seguramos a dor, o sofrimento”, Coen (monja).

 

 

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“Acho que o sofrimento maior do ser humano se deve ao fato de que ele nasce sem manual de instruções. Por não saber como ele mesmo funciona, ele sofre. A causa do sofrimento, a causa do mal, é a ignorância”, Ricardo Lindemann (teólogo).

 

O documentário de 2013 é uma iniciativa da Associação Dobem, ONG que dissemina conhecimento voltado para o desenvolvimento humano. Um livro, que aprofundará o assunto, também deve ser lançado. A boa notícia é que a íntegra do filme está disponível no Youtube.

 

 

Por Juliana Helpe

Bênção, seu Pedro

Vô,

quero começar pedindo desculpas. Não tive a oportunidade de trocar palavras antes de você ir. Fiquei longe por um bom tempo. Não que eu acredite que você esperava outra coisa: nunca fui a neta mais presente. Por mais paradoxo que isso seja, sempre fiquei tão quieta na sua presença. Uma timidez tomava conta de mim… Muita gente ainda acha que não falo. Bem, me deixa contar um segredo: falo tanto quanto você. Tenho mil causos, mil expressões, uma queda pelo drama e uma ironia fina, talvez não tão sutil. Aprendi muito com o senhor.

Também não sei se você sabe, mas te vejo todo dia. No jeito turrão do meu pai, no sorriso meio de lado, quando ele recebe todo mundo em casa como se fosse da família e até como descasca laranja depois do jantar (seus filhos parecem cada vez mais com você). Minha mãe também. Ela não tem suas manias, mas o seu nome sempre é mencionado com um respeito palpável. Você fez parte das nossas vidas de um jeito tão único, seria difícil lembrar de outra forma. Meu irmão te reverencia, assim como todos os netos. Incrível. Você conseguiu marcar “Leocádio” na gente. Até nos que não levam oficialmente o sobrenome. Todo primo tem uma lembrança, uma piada, um momento especial seu guardado. Quando essas histórias vêm à tona é uma disputa para saber qual é a mais engraçada. Um sorriso compartilhado ganha forma em todas as bocas.

Tá. Ok. Nem tudo foi legal. Foram muitas broncas, alguns olhares tortos, uns gritos, talvez umas chineladas? Difícil lembrar agora. Não sei se você se adaptaria ao mundo de hoje. Muita coisa mudou. Muita coisa ainda tem que mudar… Mas queria agradecer. É. Até mesmo por essas coisas não tão legais assim. Você me ensinou a ser durona. A não abaixar a cabeça. A pensar por mim mesma. A enfrentar todo e qualquer desafio. Afinal, o que pode acontecer? Perder tudo? Quem trabalha sempre recomeça. Quem caminha sempre encontra o novo. Quem pergunta sempre recebe resposta. Os inquietos sempre veem o sol nascer primeiro.

Obrigada por me ensinar a ser inquieta.

Beijos,
da neta jornalista

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Seu Ademir, vô Pedro e vó Corina sendo lindos e jovens

Por Gabriela Leocádio

Tempo de mudança

O caminho estava certo. Sonhos, planos, promessas… Mas que ironia! A vida surpreende. Certezas que se dissipam em um segundo. Vida que vira de cabeça para baixo. O futuro é mesmo incontrolável. Então, vamos viver dia após dia. Sem expectativas, sem pretensões. Seguir, sem olhar para trás. Porque chegou a hora de arriscar. Tudo neste percurso ensina. O novo pode ser bom. E ele vai ser.

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Foto: Juliana Helpe

 

Por Juliana Helpe

Análise de um amor

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Foto: Juliana Helpe

 

Ontem eu vi o amor.

No jeito em que ele se direciona pra ela. A forma como o brilho do olhar acompanha as covinhas do sorriso. Como ele gira o corpo, levando junto a cadeira, para dar total atenção ao que ela diz. Vi na felicidade estampada no rosto. Na expressão que dizia “que palavras lindas, tudo é tão incrível vindo de você”. Que orgulho ele tinha de tá acompanhado dela. Dava para ver. Eu vi.

Ontem eu vi o amor.

No sorriso encabulado dela. No carinho feito sem pensar. Quando ela disse “conta aquela história…” e era como se o conto estivesse acontecendo ali e agora. Na expressão de felicidade. Na linha de raciocínio que ela levanta e ele escuta, ouve e compreende. Que prazer ela tinha de tá na companhia dele. Dava para ver. Eu vi.

 

Por Gabriela Leocádio