Resoluções de ano novo

​Não há como negar que foi um ano difícil.  Difícil para a economia, para a política e para quem acorda cedo todos os dias. Afinal, qual ano não é?  Enfrentamos desafios diários. 

Ao fazer um balanço, vejo o quanto cresci e ao mesmo tempo me frustro por não ter cumprido todas as expectativas. Desta vez vou evitar fazer listas, pular ondas ou me preocupar com a cor da roupa. Antes de tudo, a meta será compreender minha confusão interior. Reavaliar meus reais objetivos. Quais são minhas paixões?  O que me motiva? O que espero do futuro?

Não sei muito bem. Carrego várias incertezas. Mas quem não anda meio perdido? Na dúvida tenho seguido pelo caminho do meio. Ainda preciso aprender que sou livre e que posso escolher qualquer caminho. Aceitar que nessa jornada eu posso arriscar e fracassar. Só  assim tentarei acertar e que o acertar pode ser relativo.

Sinto fome de muita coisa. Porém,  sem me suprir de boas energias não será possível chegar a lugar algum. Primeiro, preciso me alimentar de amor, liberdade, autoconfiança, aprendizado. Até deixar transbordar. Preciso me cercar de pessoas que queiram se deixar transbordar. 

Sei que só assim, quando eu me renovar aqui dentro, o mundo passará a fazer mais sentido aí fora. Afinal, independentemente das resoluções para o ano novo, as principais mudanças que desejamos acontecem quando a gente mesmo muda.

Por Juliana Helpe

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Hora, lugar e disposição

Sempre acreditei que tudo na vida é uma questão de hora certa e lugar certo. Se algo está reservado a você, o momento simplesmente acontece. Conforme deve ser.

A essa fórmula, adiciono a disposição. Porque quando há vontade para que os objetivos e sonhos se concretizem, grande parte do caminho está ganho. Apesar do lugar e da hora serem adversos, corações dispostos podem tornar qualquer situação possível.

A pergunta é: os nossos corações estão dispostos?

 

Por Juliana Helpe

A opção de estar presente

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Foto: Pixabay

É estranho pensar que já convivemos com pessoas com as quais tivemos intimidade, compartilhamos momentos, confidenciamos segredos e, por caminhos do destino, nos distanciamos. Vivi tantas histórias boas com grandes amigos e hoje eles são só contatos no Facebook.

Não me eximo da culpa do afastamento: tenho a minha parcela de responsabilidade. Os laços se afrouxam, a correria do dia a dia atrapalha e, quando nos damos conta, não estamos mais presentes na vida um do outro. Só o que fica são as memórias…

Às vezes, me parece uma tarefa tão árdua conservar amizades. Exige uma “manutenção” que até cansa! Quem nunca enfrentou a dificuldade em conseguir uma data na agenda para um encontro com os amigos? Em outros casos, o afastamento é voluntário. Percebemos que é o melhor a fazer, talvez a única solução para uma relação já gasta.

Ultimamente, aprendi a valorizar aqueles que escolheram estar por perto. Não dá para ser um tremendo esforço puxar assunto, manter uma conversa ou marcar um encontro. Precisa ter vontade e disposição de todas as partes para valer a pena. Reciprocidade. Aí sim é verdadeiro. Querer ficar, sem qualquer exigência ou obrigação de se fazer presente.

 

Por Juliana Helpe

 

O tempo que se leva

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Foto: Juliana Helpe

 

Num piscar de olhos os ponteiros do relógio giraram. Um minuto, uma hora, um dia, um mês, um ano, uma década. A sensação de estar desperdiçando tempo traz uma certa angústia no peito. Por não saber aonde chegar. Por não estar onde se deseja.

Neste momento poderia estar lutando pela paz mundial ou apenas levando uma vida simples na praia. Ao invés disso, vamos cumprindo obrigações, meio a contragosto. Correndo, correndo… Mas para qual direção?

Aquele tempo tão precioso se arrasta, escorre, passa. O que mesmo eu estou fazendo com ele? Enquanto não sei, fica por aqui e perde tempo comigo. Quem sabe a gente descobre que essa seja a melhor maneira de aproveitá-lo.

 

Por Juliana Helpe

Minha mente é uma viagem

 

Minha mente é capaz de inventar uma história com roteiro, personagens e diálogos definidos. Enquanto caminho, admiro o mar ou deito na cama antes de dormir, divago sobre as situações mais inusitadas.

É a sensação de estar dentro de um sonho. Quando me dou conta, perdi a estação do metrô ou não sei qual o assunto da reunião. Por um momento, transporto-me para outro tempo e espaço. 

A mente imaginativa cria circunstâncias, expectativas, conclusões… Aquela resposta perfeita, a discussão que não entrei, um passeio por uma cidade distante, o encontro ideal.

Os pensamentos vão longe. Entretanto, quando retorno à vida real, vejo que tantas coisas continuam no mesmo lugar. O destino tem sua vontade própria.

Mas quer saber? Dane-se! Prefiro não perder a capacidade de sonhar. E vou continuar sonhando sempre.

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Por Juliana Helpe

O futuro de Edu

Sento no chão para brincar de massinha com Edu. O menino tem 10 anos e veio de longe. Mal posso imaginar pelo que já deve ter passado. Deixou o seu país, em outro continente, para chegar até o Brasil. Mora temporariamente com outros refugiados em um centro de acolhida na zona leste de São Paulo. Distante do verdadeiro lar, a família tenta reconstruir uma vida por aqui.

Enquanto brincamos, pergunto ao garoto que profissão sonha em seguir. “Quero ser bandido, tia”, responde com a voz baixa. “Bandido?”, questiono espantada. Tento convencê-lo de que aquela não era uma boa opção. Ele fica em silêncio e depois se mantém entretido com um brinquedo qualquer.

No caminho de volta para o conforto da minha casa, não consigo parar de pensar qual futuro terá o menino. É incrível como os conflitos armados e a violência geram uma série de problemas que vão impactar na vida dele. A necessidade do deslocamento, a falta de moradia, fome, desemprego.

Espero que Edu esteja enganado e nunca desista de lutar por oportunidades. Assim como os demais refugiados, ele só precisa ser acolhido de maneira digna. Sempre há espaço para a interação entre os povos. A humanidade é feita dela. Eu torço por um futuro brilhante para o Edu.

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Por Juliana Helpe

Ela merece saber

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Foto: Pixabay

 

Ele tá com ela, mas não completamente presente. Ainda troca mensagens no meio da noite com outra. Diz sentir falta do que viveram antes.

Ele tá com ela e decide ir ficando, como uma obrigação a cumprir. Ilude os corações e finge ser quem não é. Ir embora exige coragem.

Ele tá com ela e carrega tanta culpa nos ombros. Insiste na razão, omite os sentimentos, reprime os desejos.

Mesmo assim, ele vai viver com ela. Talvez, ela apenas prefira fechar os olhos para senti-lo por perto. Ela deveria saber… Merecia saber que, no fundo, ele não tá com ela.

 

Por Juliana Helpe